Você “cidadão”, ATRAVESSA a via utilizando a FAIXA de PEDESTRES?



Por ACésar Veiga.

                        Dizem que na Alemanha a população só cruza a faixa de pedestres quando o sinal fica verde para estes…e isto é praxe, até mesmo quando não há tráfego visível de veículos.

Particularmente tenho de “bom gosto” plagiar os inventores do “chucrute”…mas isto tem “parido” situações bem fora do contexto.

Esses dias na calçada de determinada via de acesso na capital gaúcha esperava que o sinal ficasse verde, para cruzar – não tão despreocupadamente – na faixa de pedestre…de repente, e não mais que de repente, um jovem parou ao lado…

Como a desconsiderar minha vigília, olhou os dois sentidos da via, e como ainda não havia veículos na proximidade, deu uma de “filho desobediente” e lascou a frase:

– O senhor pode vir, não vem vindo nada!

Não disse palavra alguma e decidi ficar ali parado…a espera do sinal verde.

Houve um vacilo no jovem rapaz, mas o mundo moderno o aguardava…e assim, obediente disparou rumo as suas incertezas.

E singrando a faixa de pedestres, via-o dando olhadelas furtivas em minha direção…como a estranhar minha atitude prudente.

Pacientemente esperei o sinal vermelho desaparecer, e rumei ao meu destino. (E isso não significa que tenho talentos especiais. Somente sou fervorosamente cumpridor de regras)

Seguidamente quando espero a permissão eletrônica para cruzar a faixa de pedestres, fico tentado observando a periferia.

Observo de maneira bem realista, aquela multidão de pedestres, sem rédeas…desobedecendo fronteiras ao galgar a faixa – que é específica para eles -, mesmo quando o sinal ainda está vermelho…

Cruzam como se a sinalização não existisse!

E para muitos realmente elas não existem…são como objetos perdidos no “nada”. E quando examino olhando nos olhos daqueles imprudentes, as reações diversificam:

– alguns baixam a cabeça como a procurar algo perdido ao chão…(Às vezes o “corrigir” pode ser sutil como o bisturi)

– outros olham para o céu em busca de um “ser mágico” que os liberte do açoite desta transgressão.

E aqueles hein, que com ousadia distribuem “gratuitamente” um sorriso amarelo? (Até os sorrisos tornaram-se políticos)

Mas o que mais chama a atenção é os que oferecem “ar de espanto”…como a dizer:

– O que aconteceu?

E se advirto o leviano que o semáforo está vermelho, recebo imediatamente algum destes 3 brindes:

1º) o “sorriso malandro” de quem fez coisa pequena;

2º) aquele “descaso gelado”, ou então;

3º) a frase: “não vi”.

OBS1: Certo dia um jovem – um desses que irão comandar o destino do país -, ofertou-me silenciosamente seu dedo médio em riste. (Existem pessoas que são especialistas em atitudes vazias)

OBS2: Cruzar fora da faixa de pedestre se enquadra na categoria de infração de categoria leve e a penalidade é de multa, em 50% do valor da infração dessa natureza, ou seja, R$26,60. (O legítimo exemplo de “aprendendo a desaprender”)

OBS3: O que dificulta a fiscalização desse comportamento sem ética é:

– a falta de fiscalização do cumprimento das regras impostas a ele;

– e os mecanismos que possibilitem colocar em prática o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro para estes casos.

(As regras existem, mas não é possível cobrar do pedestre como se cobra do condutor, por exemplo, que recebe do estado uma concessão para poder dirigir. No caso do pedestre, que é livre para circular da maneira que desejar, não se encontrou ainda a forma legal para cobrar um caminhar na cidade mais responsável. Em resumo é juridicamente possível, mas tecnicamente inviável)

Mas apesar do desencantamento, devo continuar… Perseverar como aquele cidadão não tão pacífico, mas obediente aos regramentos.

E tendo assim essa atitude percebo que consigo ainda que modestamente, sensibilizar algumas pessoas…embora não seja possível ainda observar uma resposta imediata.

Creio muito na materialização das transformações, pois elas têm origem nos exemplos…e assim deixo um recado silencioso para que as pessoas reflitam sobre esta consideração.

Estamos diante somente de uma das “situações” nesta imensa vitrine que é a “cidadania na mobilidade urbana”…

E desejando transitar pelas desculpas, alguns dizem que as faixas inexistem, enquanto outros balbuciam que são mal sinalizadas…(Mas oferto estes “reclames” ao escrutínio dos órgãos especializados)

Passo desta forma, a desejar que o sem-educação e/ou o mal-educado sofra uma mudança radical…tornando-se então, um novo cidadão. (Não mais encurralado por suas irresponsabilidades)

…e este sim, com educação e bem-educado.

Então, resta fazer que o “sem ética” passe a engolir o elixir da conscientização…“poção” esta, que verdadeiramente deve restaurar o bom convívio de todos na sociedade.
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