Simulador de direção veicular revela maus hábitos adquiridos com a experiência



Anos ou até mesmo décadas de prática atrás do volante te faz um condutor mais habilidoso, correto? Depende. Isso porque na medida em que a experiência constrói motoristas mais confiantes, também pode originar hábitos perigosos, como manobras arriscadas e dirigir com apenas uma das mãos no volante, por exemplo. Para o chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Alves Junior, tão difícil quanto eliminar estes costumes é detectá-los por conta própria e dimensionar seus riscos.



Bons ou ruins, os hábitos são estabelecidos pelo princípio da repetição e, para auxiliar o condutor na tarefa de reconhecer e eliminar vícios, o especialista sugere a adoção dos simuladores de direção veicular. “Além de essenciais para formação de condutores, estes equipamentos auxiliam na educação continuada de motoristas que precisam ter suas posturas modificadas, conforme avaliação do instrutor”, argumenta.



Alves Junior completa que condutores de longa data tendem a cometer faltas mais arriscadas à segurança por conta do excesso de confiança. “São comuns falhas posturais, como deixar o braço para fora ou dirigir com apenas uma das mãos, e certo desleixo quanto à falta de sinalização das ações ou uso incorreto das lanternas. O simulador é a melhor maneira de reverter estes hábitos”, garante.



A especialista em segurança, educação no trânsito e formação de condutores, Roberta Torres, acredita ainda que as vantagens proporcionadas pelo equipamento extrapolam a formação de candidatos à habilitação. “Uma das aplicações do simulador é o aperfeiçoamento de motoristas já habilitados, seja por estarem há muito tempo sem dirigir, seja por terem passado por alguma situação de medo ou fobia”, ressalta.



A especialista pondera que, para o pleno aproveitamento por parte do aluno, as possibilidades de aprendizado apresentadas nas diversas aulas do equipamento devem ser direcionadas. “Uns precisam de aprimoramento para conduzir em rodovias, outros para conduzir em trânsito intenso. Há aqueles ainda que desejam aperfeiçoar a baliza”, exemplifica. Consciente de cada necessidade, o instrutor pode discutir as melhores estratégias com o aluno.



Especializada em soluções tecnológicas, a Mobilis está à frente de uma linha de simuladores com caráter exclusivamente pedagógico, que vai além da formação de condutores mais preparados. Segundo o Gerente de Negócios da empresa, Jobel de Araújo, ao reproduzir situações adversas em um ambiente seguro e controlado, o equipamento proporciona uma experiência completa de imersão, que aguça a percepção do aluno frente aos cenários de perigo no trânsito. “Há possibilidade de fazer aulas específicas para reciclagem, nas quais o motorista enfrenta o fluxo de trânsito real e consegue visualizar as infrações cometidas”, reforça.



Ajudando motoristas profissionais a aprenderem novas técnicas

Relevantes na estruturação de vias mais seguras e na educação continuada de motoristas, os simuladores de direção têm sido alvo de investimentos de empresas interessadas em oportunizar treinamentos para os colaboradores. Este foi o caso de Marçal Ribeiro, motorista profissional da Braspress – empresa nacional de transporte de encomendas. Há mais de três décadas dirigindo veículos pesados com percursos diários que chegam a 720 quilômetros, ele passou, recentemente, pelo treinamento em um simulador de caminhão.



Ribeiro garante que a experiência foi única e trouxe reflexos para a vida toda. “Aprendemos como economizar freio, pneus e combustível, além de não desgastar o motor e ter uma postura correta e tranquila. Mesmo com diferenças para a prática que vivemos no dia a dia, achei muito semelhante à realidade. O simulador passou mais clareza de alguns aspectos e vou procurar aplicar o que aprendi”, conta.



Segundo o instrutor da empresa, Heraldo Silva, o objetivo do curso Motorista Eficiente, no qual acontece o treinamento com o simulador, é aprimorar as habilidades e estimular uma postura defensiva frente a situações de risco. “Alguns deles possuem anos de experiência, mas com o simulador se reciclam e aprendem maneiras novas e melhores de desempenhar a própria função”, salienta.
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